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Alcy Cheuiche escreve sobre SindBancários na Feira do Livro de Havana PDF Imprimir E-mail
Seg, 24 de Fevereiro de 2014 17:33


O escrito­­­­r Alcy Cheuiche (em pé na foto acima), professor da Oficina Literária do SindBancários, conta, neste texto inspirado, a experiência de lançar dois livros produzidos por oficineiros em nosso Sindicato, na semana passada, e um de sua própria lavra. Uma comitiva de 29 pessoas  foi convidada a lançar dois livros que já viraram relíquias culturais do Cone Sul na capital de Cuba. A Feira do Livro de Havana, os cubanos e os leitores de livros em um país com o mesmo nível de letramento da França, como é o caso da Ilha, reverenciaram o trabalho desenvolvido em 2012 e 2013 no Sindicato e a ousadia de contar a história dos índios guaranis e a saga de 500 anos da saúde no Brasil.

 

A Feira do Livro de Havana



Alcy Cheuiche

 


Dizem que o Rei Carlos III, ao receber a notícia de que a fortaleza que mandara construir em Cuba estava concluída, pediu um óculo de alcance e disse: “Ela é tão grande e me custou tão caro, que tenho certeza que poderei vê-la do meu palácio de Madri”. Realmente, a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, dominando uma elevação na entrada da baía de Havana, é uma construção impressionante. Muralhas com alguns quilômetros de extensão, torres, fossos, pátios internos capazes de abrigar centenas de milhares de pessoas, tudo está intacto diante dos meus olhos. E quando o motorista do táxi queixa-se da multidão que se desloca em direção à entrada principal, eu penso que, há cinquenta e cinco anos, o índice de analfabetismo em Cuba era de mais de 60%. E, hoje, sem nenhum analfabeto em todos seus habitantes, e com um índice de leitura semelhante ao da França, não é de estranhar que esta Feira do Livro seja uma das maiores e mais populares do mundo.



São dez horas da manhã. Os portões são abertos e rapidamente o povo se espalha, ocupando todos os espaços reservados aos livros. Como se trata realmente de uma feira, também estão abertos muitos quiosques para a venda de sanduíches, diversos tipos de frituras e “perros calientes”. Com o sol a pino, nosso grupo de escritores brasileiros logo descobre duas das maiores riquezas da feira: o grande lonão onde se abrigam os livros editados em Cuba e o famoso sorvete de coco, servido numa meia casca da fruta, uma delícia caribenha. Deixamos livros no estante da Embaixada do Brasil, dedicado à obra de Paulo Freire, e visitamos a Sra. Zuleica Gamay, Presidente do Instituto Cubano do Livro, para agradecer-lhe o convite que nos fez.

Exatamente na hora marcada, em bela sala com ar condicionado e som excelente, tomo a palavra, em nome de nossa delegação de 29 pessoas, para falar sobre os livros em lançamento: uma versão em espanhol do meu romance “Sepé Tiaraju” e as coletâneas de contos “Esta terra tem dono”, em português, espanhol e guarani, e “A saúde do trabalhador brasileiro: uma saga de 500 anos”, em português e espanhol, ambas de autoria dos meus alunos da oficina de criação literária do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, representado por seu presidente Mauro Salles Machado.



Impossível não falar em história contemporânea, esta história que está acontecendo a cada dia, como escreveu José Martí. Citando o verso “Caminante no hay camino, se hace el camino al andar”, falo do longo caminho que percorremos desde janeiro de 1959, quando, ainda adolescentes, vibramos com a vitória da Revolução Cubana, seguida pela queda de João Goulart, em 1964, financiada pelos Estados Unidos, passando pela ditadura militar, quando os passaportes brasileiros tinham um carimbo “proibido para Cuba”, até os dias atuais em que participamos, mesmo sem querer, de um bloqueio econômico que sufoca os habitantes da ilha.

Escolhidos por sorteio, os escritores Valmor Simonetti e Eliseu Beckmann leem um conto de cada coletânea, simultaneamente acompanhados pela tradução em espanhol. E começamos a autografar livros, mais de uma centena, para leitores chamados Yolanda, Xamina, Rubén, José, Yailán, Vicente e outros cubanos que lotavam a sala.

Em outubro, a Feira do Livro de Porto Alegre completa sessenta anos. Quem sabe possamos convidar o patrono da Feira de Havana, o historiador e romancista Rolando Rodríguez a nos visitar? Autor de livros fantásticos, como este que até parece gaúcho: “A cavalo e com o sol pela frente”, Rolando terá muito a nos contar e encantar.

 

 

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